Thursday, October 29, 2009

A cidade fica mais pobre se nada for feito em defesa do Patimónio que resta

Por: Susete Evaristo

Este blogue em boa hora criado pelo "Cidadania de Queluz" tinha e tem como objectivo dar a conhecer os locais de interessa de Massamá, Monte Abraão, Queluz, Idanha, Campinas, Massamá Norte, Queluz-de-Baixo, Tercena e Belas.
Infelizmente esta semana perdeu-se por íncuria, uma casa que poderia ter sido um polo cultural nesta cidade mas, a insensibilidade cultural, ou apenas porque o entendimento de que quanto menos cultos são os povos mais fáceis são de manipular, está a grassar nesta cidade que um dia foi a residência de muitos nomes ilustres da vida cultural portuguesa, com a conivência dos mais altos reponsáveis autárquicos.
A exemplo do que esta semana aconteceu com a casa de Stuart Carvalhais, a exemplo do que aconteceu com o antigo Cine-Teatro Queluz e outros edificios que ao longo do tempo foram dando lugar a edifícios descaracterizados e lembro por exemplo o chalet da famila do Conde Almeida Araújo, ou da família Capucho, esta na Rua Dr. Manuel de Arriaga, tona-se urgente defender o património que ainda existe, para conhecimento dos mais novos e dos que nos irão suceder. Dou aqui alguns exemplos do que ainda podemos defender: O edifício do 1º Posto dos Bombeiros; O caracteristico Bairro Chinelo (bairro que foi dos trabalhadores de construção do Palácio de Queluz) ; as instalações do Tanque Comunitário onde presentemente está a Sede ao Grupo Coral de Queluz; O conjunto arquitectónico ao cimo da Rua Luis Simões;






Os fontanários: Rua Bica da Costa em Queluz; Chafariz D. Carlos I; Chafariz da Rua João Pina Gouveia em Monte Abraão; Chafariz de Massamá; Fonte da Carranca; Fonte da Pedra em Masamá; Chafariz do Pendão; Chafariz das duas bicas; e aindas as pontes do Catita;
Ponte Pedrinha; Ponte da Quinta Nova; Ponte da Matinha e tantos outros locais de interesse do patrimonio cultural de Queluz. Património que não falta, falta é um movimento em sua defesa.

Monday, August 31, 2009

Espaços ao abandono

Por: Susete Evaristo
Entre a Av da Republica e a Rua Conde de Almeida Araújo, na cidade de Queluz ou mais propriamente na Freguesia de Queluz, situava-se em tempos um lugar aprazível para a criançada que todas as tardes ali rumava para a brincadeira.
Havia baloiços e escorregas para todos os gostos e para os mais velhos, bancos de jardim debaixo de árvores frondosas.
Para os adultos era um descanso, por 2$50 o equivalente agora a 1 cêntimo e meio podiam deixar os catraios e ir às compras ou, qualquer a outro lugar tratar dos seus afazeres, sabendo que as suas crianças estavam bem entregues e que ao voltar elas lá estavam, felizes com as brincadeiras proporcionadas.
Quando ali passo, lembro-me sempre dos anos 80/82 quando como trabalhador estudante ia ao Liceu agora, Escola Padre Alberto Neto, prestar provas de exame deixando o meu filho naquele parque.
É com alguma tristeza que vejo como agora se encontra.
Será que a cidade de Queluz, ou neste caso a Freguesia de Queluz, se pode dar ao luxo de deixar que se degrade um espaço que devia isso sim ser revitalizado?
Eu sei que no Parque Felício Loureiro, existem equipamentos como os que acima referi mas, uma Freguesia com cerca 30.000 habitantes, não pode a meu ver, dar-se ao luxo de desperdiçar um espaço central, com as potencialidades que aquele poderia ter, se fosse olhado de outra forma pela edilidade.
Há dias tirei as fotos que aqui deixo. Só uma Nota a junta de Freguesia fica mesmo em frente.

Tuesday, July 28, 2009

A memória dos povos deve ser perpetuada

Por: Susete Evaristo
Numa das vertentes do cerro de Monte Abraão, que no ínicio do século passado era um cabeço quase esteril, cresceu uma urbe ligada à Vila de Queluz, hoje cidade.
Com a publicação da Lei 36/97 de 12 de Julho, foi a Vila de Queluz, dividida em três em Freguesias:
Queluz, Massamá e Monte Abraão, esta última, com as seguintes delimitações: a sul, a linha do Caminho de Ferro; a norte, a Freguesia de Belas; a nascente, o rio Jamor e a linha férrea; a poente, a CREL.
Ficou o cerro de Monte Abraão, dividido entre duas Freguesias, sendo uma a que ostenta o seu nome e outra a Freguesia de Belas, cuja fronteira passa junto ao Marco Geodésico existente no cimo do cabeço.
Assim e embora se tenha de reconhecer o facto de que não pertence à cidade de Queluz, mas à Freguesia de Belas, a Anta de Monte Abraão, existente na vertente norte, é um monumento a que, nem a DGEMN, nem a CMS tem dado o valor histórico que merece. A Anta do Monte Abraão é constituída por uma câmara com 3,6 metros de diâmetro, assente na rocha, restando seis esteios e o chapéu, há muito tempo caído, existia também um corredor com 2 x 8 metros, orientado a Este, do qual já nem se veem vestigios.
A seu lado a pedreira que nos anos 70 ainda funcionava em pleno, deu lugar a um grande buraco que hoje sem qualquer restrição, serve de lixeira a céu aberto, não dignificando nem a Freguesia, nem o espaço onde a Anta se insere.
Até quando os Organismos oficiais irão unir esforços para salvar um património que é de todos e que só pode enriquecer os conhecimentos acerca da nossa História.
Até quando a Câmara Municipal de Sintra, tomará a decisão de preparar o terreno por forma a inserir este Monumento Megalítico, assim como os outros dois existentes em Belas, no “Dia Internacional dos Monumentos e Sítios Históricos”.

Friday, July 10, 2009

Casa onde viveu Stuart Carvalhais

De dia para dia a casa onde viveu Stuart Carvalhais, vai-se deteriorando, e, a Câmara Municipal de Sintra e a Junta de Freguesia de Queluz nada fazem.

Será que mais uma vez o património de Queluz não vai ter resposta das entidades, como, também há alguns anos o mesmo aconteceu com o antigo Cine-Teatro Queluz.


Na altura foi proposto que a Câmara Municipal de Sintra comprasse o edifício quando este foi posto em leilão, para que fosse feito ali um Centro Cultural da Freguesia, mas fizeram orelhas moucas e nada fizeram havendo hoje mais um edifício de habitação.


Talvez, se ainda vá a tempo para que a Casa Museu de Stuart de Carvalhais seja uma realidade, façamos uma campanha para que as nossas entidades trabalhem em prol de Queluz.


Escrito por Manuel Guedelha

Chafariz de Massamá


O chafariz de Massamá constitui-se como património histórico de Massamá e dá significado ao nome da freguesia Massamá da cidade de Queluz que provém do geónimo "Mactamã", que se traduz por "lugar onde se toma boa água" ou "fonte".

No entanto, a água do chafariz é imprópria para consumo e não é controlada pelos SMAS Sintra. Segundo os SMAS Sintra devido «suas nascentes não serem conhecidas nem terem um perímetro de protecção e, ao longo dos tempos, terem sido urbanizadas as zonas envolventes, as mesmas ficaram sujeitas a contaminações.».[1]

Apesar dos SMAS Sintra não analisarem a água, a Junta de Freguesia de Massamá encomenda análises periódicas que podem ser consultadas aqui.

No chafariz pode ler-se:
Este chafariz centenário
Muitos segredos encerra
E cumprindo o seu fadário
É o orgulho desta terra

Wednesday, July 8, 2009

Antigo quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Queluz

Um imóvel com passado… e futuro!?

A monografia que entendemos destacar durante o mês de Fevereiro, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Apontamentos para a sua História, 1921-2005, com textos e coordenação de Salvador da Luz, ex-presidente da Direcção da mesma instituição e destacado dirigente das estruturas representativas dos bombeiros portugueses, editada em Outubro de 2006, propicia a apresentação de uma proposta de roteiro.

Assim, aos amantes da história e do património que optem por uma incursão turística pela região de Sintra, propomos que façam paragem no antigo quartel dos bombeiros Queluzenses, apesar de este não se encontrar aberto ao público. Localizado nas imediações do Palácio Nacional de Queluz, no Largo Mouzinho de Albuquerque, o referido imóvel, em apreciável estado de conservação, exceptuando os graffitis, constitui um bom exemplo do tipo de edifícios que outrora serviram de aquartelamento aos corpos de bombeiros, sobretudo, na vulgarmente designada “província”. Ou seja, é testemunho do tempo em que o quartel-sede de uma associação de bombeiros se cingia aos gabinetes da Direcção e do Comando, posto de socorros e parque de viaturas. Contrariamente ao que mais tarde veio a generalizar-se através da construção de novos quartéis, poucas instalações dispunham de camarata para pessoal de piquete no período nocturno (os voluntários pernoitavam nas suas residências, conhecendo-se situações em que os corpos de bombeiros dispunham de rede telefónica interna, com ligação aos primeiros, a fim de garantirem pronta resposta no socorro) e de sala destinada à ocupação dos tempos livres. Não obstante as limitações e, como tal, os poucos incentivos, os efectivos dos corpos de bombeiros voluntários revelavam-se numerosos e assíduos. Por sua vez, perante a inexistência de casa-escola, a fachada de qualquer edifício de maior envergadura era o bastante para a instrução do pessoal, vendo-se esta consubstanciada, essencialmente, em exercícios com manobras de escadas e no estabelecimento de mangueiras. De Norte a Sul do país, a construção de um esqueleto de madeira equivalente a vários pisos, junto ao quartel, satisfazia, também, as necessidades de instrução dos corpos de bombeiros.

“…as velhas instalações do Largo Mouzinho de Albuquerque convidam a uma reflexão sobre o seu reaproveitamento para fins de utilidade pública dada a sua localização e vocação. Criar um espaço museológico, por exemplo, poderia ser uma solução a equacionar e incentivar” Salvador da Luz

O antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Queluz (BVQ), que ainda hoje mantém instalada, na cobertura, a velha sirene para chamada dos voluntários, bem como, no frontão, as letras correspondentes à sigla BVQ, reporta-se a 1934.

Afecto ao Palácio Nacional de Queluz, o edifício foi cedido para instalação do quartel-sede, à Sociedade Benemérita de Queluz (antiga denominação da Associação), pela Repartição do Património.

Anteriormente, o espaço acolheu um depósito de carvão, facto que obrigou a trabalhos de recuperação e adaptação, os quais foram assegurados pelos próprios bombeiros, que para o efeito desenvolveram uma “luta titânica”, devido à “falta de recursos financeiros”, descreve Salvador da Luz.

Tratou-se do primeiro quartel-sede condigno que a associação teve desde a sua fundação, verificada em 2 de Outubro de 1921, pois o material de combate a incêndios permanecera sempre guardado sob as arcadas do Palácio.

A inauguração oficial do aquartelamento veio somente a ocorrer no dia 16 de Maio de 1937, depois de vencidas muitas vicissitudes, tendo sido convidados para as respectivas cerimónias o governador civil do distrito de Lisboa, o presidente da Câmara Municipal de Sintra e o administrador do concelho, entre outras entidades. O momento prestou-se ainda ao baptismo de um pronto-socorro e de um transporte de pessoal, seguido de desfile pelas ruas da então vila de Queluz, abrilhantado pela Banda da Sociedade União Sintrense.

Reaproveitamento para fins de utilidade pública

O velho edifício serviu de quartel-sede até 1977, ano no qual foram inauguradas as actuais instalações da Rua D. Pedro IV, entretanto ampliadas na última década do século passado.

O autor da monografia em destaque termina a parte reservada ao primeiro quartel-sede referindo que “as velhas instalações do Largo Mouzinho de Albuquerque convidam a uma reflexão sobre o seu reaproveitamento para fins de utilidade pública dada a sua localização e vocação. Criar um espaço museológico, por exemplo, poderia ser uma solução a equacionar e incentivar”.

Tais palavras, que subscrevemos em absoluto, mantêm-se plenas de actualidade e por isso é importante recordá-las, destacando-as, a começar pelo facto de o imóvel permanecer fechado, para efeitos de arrumos da associação.

Embora não sendo objecto da História fazer futurologia, estamos certos de que o veículo antigo estacionado no interior do mesmo edifício, a exigir reparação, mais o valioso espólio exposto na sala-museu e noutras dependências das actuais instalações dos BVQ, cuja visita recomendamos vivamente, configurariam um interessante espaço sociocultural e dignificariam, muitíssimo, o longo trilho dos “soldados da paz” de Queluz, em particular, e de Portugal, em geral.






Nota: Fotos antigas retiradas da monografia Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Apontamentos para a sua História, 1921-2005

Escrito por Luís Miguel Baptista no blog Fogo & História